Remédio para pressão alta: 6 tipos mais usados

Os remédios para pressão alta, chamados de anti-hipertensivos, são indicados para baixar a pressão e mantê-la controlada, com valores abaixo de 14 por 9 (140 x 90 mmHg), pois a pressão alta pode causar complicações como infarto, insuficiência cardíaca, angina, problemas renais ou derrame cerebral, por exemplo. 

Existe uma variedade de medicamentos que podem ser usados para tratar a pressão alta, como diuréticos, bloqueadores adrenérgicos ou vasodilatadores, por exemplo, que devem ser indicados pelo cardiologista de forma individualizada de acordo com a gravidade da doença ou dos riscos de complicações. Em alguns casos, esses remédios podem ser utilizados em combinação. 

Os remédios para pressão alta devem sempre ser indicados pelo cardiologista e deve-se fazer acompanhamento médico com frequência para verificar se o tratamento está reduzindo a pressão arterial. Além disso, o médico também deve indicar a diminuição do consumo de sal e a prática de exercícios físicos, como caminhada, por exemplo, pelo menos 3 vezes por semana para ajudar a diminuir a pressão arterial.

Remédio para pressão alta: 6 tipos mais usados

As principais classes de remédios para pressão alta que o cardiologista pode recomendar são:

1 - Diuréticos

Os diuréticos são remédios que atuam aumentando a eliminação de sal pela urina, pois o sal contém muito sódio que causa retenção de água pelo corpo. Quando o sal é eliminado, leva junto a água do sangue, diminuindo a quantidade de líquido nas veias e artérias e por isso diminui a pressão arterial e o inchaço causado pela pressão alta.

Existem várias classes de diuréticos, sendo que os principais remédios indicados pelos médicos são clortalidona, hidroclorotiazida, indapamida, furosemida, bumetanida, espironolactona ou amilorida.

Em alguns casos, esses diuréticos podem ser utilizados junto com outros remédios para pressão alta, dependendo da avaliação e da indicação do médico.

2. Alfa-agonistas de ação central

Os remédios alfa-agonistas de ação central agem diretamente no cérebro nas áreas que controlam a pressão arterial e, assim, promovem o relaxamento dos vasos sanguíneos permitindo com que o sangue circule com mais facilidade, o que reduz a pressão alta. 

Os principais medicamentos dessa classe de anti-hipertensivos são metildopa, clonidina, guanabenzo, moxonidina e rilmenidina.

3. Bloqueadores adrenérgicos

Os bloqueadores adrenérgicos incluem duas classes de remédios para pressão alta, os beta-bloqueadores como propranolol, atenolol, carvedilol, metoprolol e nebivolol, e os alfa-bloqueadores como doxazosina, prazosina e terazosina.

Os beta bloqueadores, geralmente são indicados para pessoas jovens ou que tiveram ataque cardíaco, pois ajudam o coração a bater mais devagar e com menos força, o que diminui a pressão arterial. Além disso, também ajudam a abrir as veias e artérias para melhorar o fluxo sanguíneo.

Já os alfa-bloqueadores, ajudam a diminuir a pressão arterial porque impede o hormônio norepinefrina aperte os músculos das paredes das artérias e veias, o que faz com que os vasos sanguíneos relaxem, melhorando o fluxo de sangue no corpo e reduzindo a pressão arterial. 

Remédio para pressão alta: 6 tipos mais usados

4. Vasodilatadores diretos

Os vasodilatadores diretos promovem o relaxamento dos vasos sanguíneos, evitando que se contraiam, o que faz com que o sangue circule de forma mais fácil pelos vasos e o coração não precise fazer muita força para bombear o sangue para o corpo, e por isso, ajudam a diminuir a pressão arterial. Os principais vasodilatadores indicados pelos médicos são a hidralazina e a minoxidil. 

O minoxidil é usado por via oral para o tratamento da pressão alta que não melhora com outros medicamentos e, geralmente, é usado junto com um diurético ou um betabloqueador. Esse remédio tem como efeito colateral aumentar a quantidade de pelos no corpo e, por isso, também é indicado por dermatologistas para o tratamento queda de cabelo e calvície, no entanto, nestes casos, o uso é tópico, devendo-se usar a solução de minoxidil diretamente no couro cabeludo.

5. Bloqueadores dos canais de cálcio

Os bloqueadores dos canais de cálcio reduzem a pressão arterial, porque impedem que o cálcio entre nas células do coração e das artérias, permitindo que os vasos sanguíneos relaxem e se abram, o que melhora o fluxo sanguíneo no corpo e reduz o esforço do coração para bombear o sangue.

Os principais medicamentos dessa classe de anti-hipertensivos são anlodipino, nifedipino, felodipino, nitrendipino, manidipino, lercanidipino, levanlodipino, lacidipino, isradipino, nisoldipino e nimodipino.

Alguns bloqueadores dos canais de cálcio, como verapamil e diltiazem, têm o benefício adicional de diminuir a frequência cardíaca, o que pode reduzir ainda mais a pressão arterial, aliviar a dor no peito e controlar o batimento cardíaco irregular.

6. Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA)

Os inibidores da enzima conversora da angiotensina impedem que seja produzida angiotensina, um hormônio que causa estreitamento dos vasos sanguíneos e aumenta a pressão sanguínea, forçando o coração a trabalhar mais. Ao impedir a produção desse hormônio, essa classe de anti-hipertensivo ajuda a relaxar as veias e artérias e reduzir a pressão arterial.

Os principais inibidores da enzima conversora da angiotensina são captopril, enalapril, ramipril e lisinopril, que podem causar tosse seca como efeito colateral. 

Uma outra classe de medicamentos com efeitos semelhantes a estes, porém sem o efeito  colateral de tosse seca, são os antagonistas do receptor da angiotensina que reduzem a pressão arterial por impedirem os efeitos do hormônio angiotensina,e incluem os medicamentos losartana, valsartana, candesartana e telmisartana.

Remédio para pressão alta: 6 tipos mais usados

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais dos remédios para pressão alta incluem tonturas, retenção de líquidos, alterações na frequência cardíaca, dor de cabeça, vômitos, náuseas, sudorese ou impotência. Ao notar qualquer um destes efeitos, deve-se comunicar ao cardiologista para que possa ser avaliada a possibilidade de diminuir a dose do medicamento ou até mesmo trocá-lo por outro.

Os remédios para pressão alta não engordam, porém alguns podem provocar inchaço, e nestes casos, o cardiologista poderá indicar também o uso de diuréticos.

Quando parar de tomar anti-hipertensivo

O uso de remédios para controlar a pressão alta na maioria dos casos é mantido por toda a vida, porque a hipertensão é uma doença crônica, e o tratamento é importante para reduzir o risco de complicações como infarto, derrame cerebral, aneurisma ou insuficiência renal, por exemplo.

Esses medicamentos devem ser tomados de acordo com a indicação do cardiologista, que também deve orientar a pessoa a fazer um diário anotando a pressão arterial medida em casa. Saiba como medir a pressão arterial em casa.

Opções de remédios caseiros para pressão alta

Um ótimo remédio caseiro para pressão alta é o suco de laranja, pois a laranja é rica em potássio que ajuda a reduzir a pressão arterial, além de possuir antioxidantes que ajudam a manter os vasos sanguíneos saudáveis e prevenir doenças como aterosclerose, infarto ou derrame cerebral, por exemplo. No entanto, deve-se evitar o suco de toranja ou grapefruit durante o tratamento com os anti-hipertensivos, pois essa fruta pode diminuir a atividade da enzima responsável por metabolizar esses medicamentos, podendo causar aumento dos efeitos colaterais ou intoxicação.

Outra boa opção de remédio natural para pressão alta é o suco de limão com alho. Para o fazer, basta retirar todo o suco de 3 limões, triturar 2 dentes de alho, colocar o suco, os dentes de alho e 1 copo de água no liquidificador, bater bem, adoçar a gosto e beber durante o dia, no intervalo das refeições. Confira outras opções de remédios caseiros para pressão alta.

Assista o vídeo com a nutricionista Tatiana Zanin com dicas para ajudar a controlar a pressão alta:

Remédios para pressão alta na gravidez

Os remédios para pressão alta na gravidez, que podem ser prescritos pelo cardiologista, são o metildopa ou a hidralazina, por exemplo.

No caso de mulheres que já tinham pressão alta antes de engravidar, o cardiologista deverá trocar a medicação utilizada previamente, por medicações liberadas para uso na gestação, que não trazem problemas para o bebê.

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