Como trocar de anticoncepcional sem correr o risco de engravidar

Julho 2021

Os anticoncepcionais femininos são medicamentos ou dispositivos médicos usados para prevenir uma gravidez e podem ser usados em comprimido, anel vaginal, adesivo transdérmico, implante, injetável ou dispositivo intrauterino. Existem ainda os métodos de barreira, como o preservativo, que devem ser usados não só para prevenir uma gravidez, mas também para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Dada a grande variedade de anticoncepcionais femininos disponíveis e o diferente impacto que podem ter em cada mulher, por vezes, o médico pode recomendar a troca de um anticoncepcional por outro, com a finalidade de descobrir qual deles se adapta melhor a cada caso. No entanto, para fazer a troca de anticoncepcional, devem-se ter alguns cuidados, porque em alguns casos pode haver o risco de ocorrer uma gravidez.

Como trocar de anticoncepcional sem correr o risco de engravidar

1. Para pílula combinada

Antes de fazer a troca, é importante que o ginecologista seja consultado para que a troca seja feita da maneira correta:

  • Troca de marcas: nesse caso é recomendado iniciar a nova pílula combinada no dia seguinte ao do último comprimido ativo do anticoncepcional oral utilizado anteriormente ou no dia seguinte ao do intervalo habitual sem tratamento. No caso de pílula combinada que tenha comprimidos inativos, chamados de placebo, estes não devem ser ingeridos, sendo indicado que a nova pílula seja iniciada no dia seguinte ao uso do último comprimido ativo da cartela anterior;
  • De adesivo transdérmico ou anel vaginal: o início da pílula combinada deve acontecer no dia da retirada do anel ou do adesivo, de acordo com a orientação do médico;
  • De contraceptivo injetável, implante ou DIU hormonal: a pílula combinada deve ser iniciada na data prevista da próxima injeção ou no mesmo dia ou dia seguinte à retirada do implante ou do DIU hormonal;
  • De uma minipílula: o uso da pílula combinada pode ser feito em qualquer dia.

No caso da troca de marcas de pílula combinada ou troca do adesivo ou anel para a pílula combinada, não há risco de engravidar desde que a mulher tenha feito uso correto do método contraceptivo anterior e a troca tenha sido feita de acordo com a orientação médica. No entanto, no caso da troca a partir do contraceptivo injetável, implante, DIU hormonal ou minipílula, é recomendado que seja feito uso de preservativo nos primeiros 7 dias do uso da pílula oral combinada para diminuir o risco de gravidez.

2. Para minipílula

Antes de iniciar o uso da minipílula, é importante que o ginecologista seja consultado para que possa ser avaliado se é possível fazer a troca e como fazer da melhor maneira:

  • Troca de marcas: nesse caso, o início do uso da nova minipílula pode acontecer em qualquer dia;
  • De pílula combinada: a mulher deve tomar a primeira minipílula no dia seguinte ao último comprimido da pílula combinada. Caso se trate de uma pílula combinada que tenha comprimidos inativos, chamados de placebo, estes não devem ser ingeridos e por isso a nova pílula deve ser iniciada no dia seguinte ao último comprimido ativo da cartela anterior;
  • De anel vaginal ou adesivo transdérmico: o início da minipílula deve ser feito no dia seguinte à retirada desses métodos contraceptivos;
  • De contraceptivo injetável, implante ou DIU hormonal: nesse caso, o início da minipílula deve acontecer no mesmo dia ou dia seguinte à retirada do anel ou do adesivo, de acordo com a orientação do ginecologista;

No caso da troca para a minipílula a partir do contraceptivo injetável, implante ou DIU hormonal é recomendado usar preservativo nas relações sexuais durante os primeiros 7 dias do início do uso do novo método contraceptivo, pois assim é possível diminuir o risco de gravidez.

3. Para anel vaginal

A troca do método contraceptivo para anel vaginal deve ser feita de acordo com a orientação do ginecologista:

  • De pílula combinada ou adesivo transdérmico: o anel deve ser inserido no mais tradar no dia seguinte ao do intervalo habitual sem tratamento, seja de uma pílula combinada ou de um adesivo transdérmico. Caso se trate de uma pílula combinada que tenha comprimidos inativos, deve-se inserir o anel no dia seguinte ao último comprimido inativo;
  • De contraceptivo injetável, implante ou DIU hormonal: nesse caso, a inserção do anel vaginal deve acontecer na data prevista para a próxima injeção ou no mesmo dia ou dia seguinte à extração do implante ou do DIU hormonal, conforme a orientação do ginecologista.

Durante essa troca, só há risco de gravidez na troca a partir do DIU hormona, contraceptivo injetável e implante e, por isso, é indicado que seja usada camisinha nos 7 primeiros dias após a colocação do anel.

4. Para adesivo transdérmico

É importante que o ginecologista seja consultado para que seja avaliada a troca do método contraceptivo para o adesivo transdérmico:

  • De pílula combinada ou anel vaginal: o adesivo deve ser colocado o mais tardar no dia seguinte ao do intervalo habitual sem tratamento, seja de uma pílula combinada ou de um adesivo transdérmico. Caso se trate de uma pílula combinada que tenha comprimidos inativos, deve-se inserir o anel no dia seguinte ao último comprimido inativo;
  • De contraceptivo injetável, implante ou DIU hormonal: o adesivo transdérmico deve ser colocado na data prevista para a próxima injeção ou no mesmo dia ou dia seguinte à extração do implante ou do DIU hormonal, de acordo com a indicação do médico.

Após a colocação do adesivo transdérmico, é recomendado que seja utilizada preservativo nas relações sexuais 7 dias após a colocação do adesivo, principalmente quando o método anterior foi o contraceptivo injetável, o implante ou o DIU hormonal.

5. Para contraceptivo injetável

A troca da pílula combinada para o contraceptivo injetável deve ser feita sob orientação do ginecologista, sendo nesse caso indicado que a injeção seja aplicada dentro do período de 7 dias após o último contraceptivo ativo da pílula combinada.

Além disso, no caso da troca contraceptivo injetável trimestral para o mensal, é importante que a troca seja feita sob a orientação do médico, pois assim é possível garantir a contracepção e os níveis ideais de hormônios. Assim, como pode haver variação, é indicado que durante o primeiro mês da troca, seja usado preservativo em todas as relações sexuais. Veja como funciona o anticoncepcional injetável mensal.

6. Para DIU

A troca da pílula anticoncepcional para o DIU deve ser feita sob orientação do ginecologista, após a realização de exames de sangue, sendo normalmente realizada nos primeiros 12 dias do ciclo menstrual. Após a colocação do DIU não é necessário fazer mais uso do contraceptivo oral.

No caso dos outros métodos contraceptivos, a troca para o DIU pode variar de mulher para mulher e do método utilizado, sendo fundamental consultar o ginecologista. Saiba mais sobre o DIU.

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